Nem só do que é legítimo vive a arte. O conceito de autoria e o lugar do autor vêm sendo discutidos - pelo menos - desde Marcel Duchamp, através de trabalhos como a sua "Roda de Bicicleta". E quem diria que a mesma Arte que na grécia antiga cuidava de imitar a realidade para encontrar a verdadeira beleza seria depois obrigada a conviver com imitações de si mesma? É justamente sobre questões de autoria que trata a exposição "Close examination: fakes, mistakes and discoveries" (Exame de Perto: farsas, erros e descobertas), em cartaz até o dia 12 de setembro na National Gallery, em Londres.
A exposição traz ao público 40 pinturas que, diferentemente do resto do prestigiado acervo de mais de 2.300 obras pertencentes à galeria, não passam de falsificações. A iniciativa corajosa, de expor as “falsificações”, vem ajudar a contar a história de alguns dos enganos cometidos no processo de aquisição das obras; alguns deles, nem sempre infelizes, afinal, não é só de maus negócios que esta história é feita.
Também foram descobertas no acervo obras originais de Rafael e Botticelli que tinham sido adquiridas como cópias. E é para Botticelli a quem se dedica uma sala inteira dos seis espaços que formam o conjunto da exposição. As outras cinco são separadas por categorias: “Segredos e Enigmas”, “Ilusão e Fraude”, “Erros”, “Transformações e Modificações” e “Redenção e Recuperação”.
Apesar de desmistificar certas obras ao expor suas falsificações e de tirar delas parte de seu encanto original, a mostra vem também ressaltar a importância e a competência do setor de pesquisa científica da National Gallery (um dos mais avançados do mundo, segundo eles mesmos). Empregando técnicas como o raio-x, infravermelho, espectometria de massa e microscopia eletrônica, eles ajudam a determinar a legitimidade das obras do vastíssimo acervo da galeria, do qual hoje fazem parte nomes como Leonardo da Vinci, Rembrandt, Botticelli, Caravaggio, Rembrandt, Rubens, Vermeer, Turner, Renoir, Monet, Van Gogh, Toulouse-Lautrec, Gauguin, Degas, Manet e Picasso.
Contemplando a opinião de quem não se anima em pagar para ver as tais "falsificações", a entrada para a exposição na National Gallery é gratuita.
Close Examination: Fakes, Mistakes and Discoveries
National Gallery (Londres) - até 12 de setembro
(Vincent House, 30 Orange Street, London - Tel: 020 7747 2870)
www.nationalgallery.co.uk
Fontes: Agência Reuters, G1, O Globo, ionline, Jornal de Angola, The guardian
Publicado em 09/07/2010
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