Multi facetado, multimídia, provocador. Flavio de Carvalho (1899-1973) ja fazia performances e happenings desde a década de 30. Transitava pela pintura, escultura, cenografia, arquitetura e, ao lado dos colegas da vanguarda modernista, provocou o status quo, quebrou padrões. A vida, a obra e a trajetória de Flavio de Carvalho, artista fluminense radicado em São Paulo, pode ser conferida até o dia 13 de junho na exposição
Flavio de Carvalho, no Museu de Arte Moderna de São Paulo.
Para muitos, Flavio de Carvalho foi um artista anos à frente de seu tempo. Ele é famoso por sua arte polêmica e inovadora e por seus projetos ousados, como é o caso do projeto do Viaduto do Chá (1934) e, anteriormente, do Palácio do Governo do Estado de São Paulo (1928), que nunca chegaram a ser executados, mas foram reconhecidos como importantes obras de arquitetura modernista.Também entrou para a história sua obra entitulada “Experiência nº 2”, misto de happening e performance, realizada num momento em que poucos artistas ousavam enveredar por esse caminho em solo brasileiro.
Em 1931, caminhou de boné no sentido contrário a uma procissão de Corpus Christi e quase foi linchado pelos participantes, sendo salvo pela polícia. Outra destas suas ações foi a famosa “Experiências nº 3” (1956), quando Flavio caminhou no centro de São Paulo vestido com o “New Look masculino”: blusão de mangas curtas e folgadas e saiote de pregas largas (numa paródia do New Look feminino, de Christian Dior).
Já entre suas obras mais tradicionais, uma das mais marcantes é a série Trágica (1947), composta de desenhos a carvão sobre papel em que registra a agonia de sua mãe no leito de morte. Todas estas facetas da produção artística de Flavio de Carvalho estão contempladas pela exposição, em áreas organizadas cronologicamente, com curadoria de Rui Moreira Leite.
Mais sobre o artista
Flavio de Carvalho nasce em Barra Mansa (RJ) e completa seus estudos na Inglaterra. Cursa engenharia na Universidade de Durham e artes plásticas na Escola de Belas-Artes Rei Edward. De volta ao Brasil, em 1922, fixa residência em São Paulo, onde é influenciado pelo movimento modernista. Aderiu à antropofagia entre os anos 20 e 30 e criou do Clube de Artistas Modernos (CAM) em 1932, com Antonio Gomide, Di Cavalcanti e Carlos Prado . Faz a sua primeira exposição no 1º Salão de Maio, em São Paulo, em 1937. Na Europa, entrevistou em 1934 expoentes das artes, como André Breton (1896 - 1966) e Man Ray (1890 - 1976), o que gerou algumas matérias publicadas em revistas e no jornal Diário de S. Paulo.
Com o passar do tempo e o surgimento de uma nova vanguarda nos anos 60, ficou evidente o papel do artista com prenunciador de movimentos que viriam a ser mais amplamente explorados então, possibilitando a ele o reconhecimento merecido ainda em vida, com obras adquiridas pelo MoMA em 1957 e, dez anos depois, com a premiação da IX Bienal na categoria de artista internacional (feito jamais igualado por outro artista brasileiro) entre outros.
Além de atuar como artista plástico, cenógrafo e figurinista, também escreve os livros Experiência Nº 2 (1931) e Os Ossos do Mundo (1936). No teatro, é autor da peça O Bailado do Deus Morto (1933). Representa o Brasil na 25ª Bienal de Veneza, em 1950, e recebe o grande prêmio de desenho na 9ª Bienal Internacional de São Paulo (1967). Morre em Valinhos, no interior de São Paulo.
Flavio de Carvalho - até 13 de junho
Museu de Arte Moderna de São Paulo
(Parque do Ibirapuera, portão 3 - s/nº, São Paulo - Tel.: 11 5085-1300)
Visitação: terça a domingo e feriados das 10h às 18h
Entrada: R$5,50 (Meia entrada para estudantes, mediante apresentação da carteirinha) Gratuidade para menores de 10 e maiores de 65 anos, sócios do MAM e funcionários das empresas parceiras.
ENTRADA GRATUITA AOS DOMINGOS
Publicado em 18/05/2010