A sexta edição da SP Arte alcançou resultados melhores do que o esperado e confirmou uma tendência: o aquecimento do mercado da arte nacional e o início da especulação de obras de artes contemporâneas brasileiras. As vendas realizadas durante o evento, que aconteceu de 29 de abril a 02 de maio, em São Paulo, movimentaram um total de R$ 31,45 milhões, cerca de 15% a mais do que no ano passado. Também houve um aumento de público de 20%, com aproximadamente 16 mil visitantes (sendo 30% de outros estados). Os números alcançados com as vendas e com a visitação da feira refletem o interesse atual pelas artes visuais no Brasil e atestam a importância do evento como um dos maiores eventos do gênero na América Latina.
Nesta edição da SP Arte, estavam à venda cerca de 2.500 obras de arte, espalhadas por estandes de 80 galerias. Apenas na noite de abertura, as principais galerias de São Paulo (Fortes Vilaça, Vermelho, Arte 57 e Nara Roesler) afirmaram ter vendido 80% das obras que trouxeram para os seus estandes. Não foram compradas as mais caras , como "Puerto Metafísico", de Joaquín Torres-García, avaliada em US$ 3,5 milhões, ou "Tamba-Tajá", de Maria Martins, de R$ 1,5 milhão. Mas foram os contemporâneos que encabeçaram os negócios, movimentando valores menores, mas com um volume maior de peças vendidas.
Foram arrematadas obras de Flávio de Carvalho, Tunga, Leda Catunda, Andriana Varejão, Waltercio Caldas, Carlos Cruz-Diez e Julio Le Parc, este último, com um trabalho que custou 300 mil euros. A peça de Varejão, "Ruína e Charque - Porto", foi vendida por R$ 700 mil, sendo uma das negociações mais expressivas de todo o evento. Também tiveram forte saída obras de jovens pintores como Mariana Palma e Eduardo Berliner, representados pela galeria Casa Triângulo, Rodolpho Parigi, da Nara Roesler, e Rodrigo Bivar, da galeria Millan.
Entre as vendas institucionais, o Shopping Iguatemi - São Paulo, parceiro da SP Arte, arrematou sete obras que foram doadas à Pinacoteca de São Paulo e ao Museu de Arte Moderna da Bahia. O MAM-BA ficou com uma tela de Rodolpho Parigi e fotografias de Beatriz Franco e Claudia Andujar. Já a Pinacoteca do Estado de São Paulo, com uma instalação de Gustavo Rezende.
A procura pelos contemporâneos durante a feira confirmam uma tendência: existe uma altíssima demanda de mercado, mas as peças de artistas consagrados, em geral os mortos, estão cada vez mais escassas. Este fato abre espaço para que novos artistas se transformem muito mais cedo que o normal em fetiches nas mãos de colecionadores e especuladores, fazendo com que suas obras alcancem, assim, altos valores muito mais rapidamente. De acordo com uma reportagem da Folha de São Paulo, artistas como Beatriz Milhazes, Cildo Meireles, Vik Muniz e a própria Adriana Varejão viraram cifrões luminosos em cartelas de investimento. Na cola deles, nomes da novíssima geração, como Thiago Rocha Pitta, Tatiana Blass, Henrique Oliveira e André Komatsu já sofrem especulação.
Seguindo essa alta de mercado e a transformação da arte nacional em um ativo de grande valorização e rentabilidade, Rodolfo Riechert, diretor da consultoria Plural Capital, criou junto com Heitor Reis, ex-diretor do Museu de Arte Moderna da Bahia, um fundo de investimentos de R$ 40 milhões para arte brasileira. Um estudo que fizeram circula entre possíveis investidores e mostra que obras de alguns artistas hoje chegam a valer 50 vezes o que valiam há dez anos.
Apesar de todo este movimento ser natural no cenário internacional, existe o receio de que a entrada de grandes investidores no circuito das artes force o mercado brasileiro a operar num ritmo artificial. Isto porque, estes investidores, na maioria das vezes estão mais interessados em lucrar com a revenda de obras em momentos estratégicos do que em formar coleções. Esta atitude pode vir a criar uma bolha especulativa, tornando muito menor o intervalo entre o momento em que o artista surge no circuito e a hora em que suas obras vão a leilão (onde os trabalhos chegam a valer até cinco vezes do preço que têm nas galerias). Para alguns, esta espiral descontrolada de valores pode estancar a demanda por esses artistas e levar a uma eventual desvalorização.
Neste momento, não há como reverter a situação, já que se trata de uma ordem de mercado global. No máximo, alguns galeristas tentam conter a alta excessiva dos valores comprando de volta obras de seus artistas que surgem no mercado. Até vão a leilões para resgatar suas obras e evitar que não sejam vendidas.
Em breve, a Fabio Pena Cal Galeria de Arte entra neste circuito, no mercado nacional das artes visuais, lançando a
Corretora de Arte.Com, uma iniciativa inédita no Brasil. A Corretora é uma segura ferramenta online de investimento em obras de arte que tornara possível operar e investir em um mercado em plena expansão. Uma forma de conectar compradores às obras de arte, através da internet.
Fontes: site oficial da SP Arte e jornais Folha de Sao Paulo e O Estado de Sao Paulo.
Publicado em 18/05/2010