Marcelo Silveira vai levar a um dos principais eventos das artes visuais do país um imenso tronco de árvore de cajacatinga, que há aproximadamente 70 anos desabou sobre o terreno do engenho onde o artista cresceu com sua família, em Gravatá, no Agreste de Pernambuco. Marcelo foi um dos primeiros nomes anunciados para participar da Bienal de São Paulo, com uma obra que vai ocupar 35m² de chão do pavilhão, com 4m de diâmetro na base, 7m de comprimento e quase 1 tonelada. Esta será a primeira vez que Marcelo, representado em Salvador pela Fabio Pena Cal Galeria, participa da Bienal.
A Cajacatinga de Marcelo Silveira, árvore conhecida da paisagem do interior de Pernambuco, é quase uma relíquia de família, uma peça histórica, que sofreu intervenções do artista para ser apresentada na exposição. Ela que deve estar finalizada em junho, após o processo criativo que está envolvendo o trabalho de mais de 20 pessoas, no ateliê montado em Gravatá. Os trabalhos de Silveira - que tem a madeira como principal elemento -, passeiam também pela escultura, pintura, desenho e instalação, confirmando em seu estilo o hibridismo característico da arte produzida no século XXI. “Embora se deixe, em contato ligeiro, classificar como escultura, parte significativa dela (sua produção) não cabe nas convenções que demarcam o campo escultórico, esgarçando mais ainda as fronteiras, há muito já frágeis, que o apartam dos campos da pintura, do desenho ou da instalação”, escreveu o próprio Moacir dos Anjos, em um dos textos que integrou o catálogo de uma das mais importantes exposições de Marcelo, Armazém do Tudo (2004). Além desse trabalho, ele também vai participar do evento com uma composição de colagens em preto-e-branco, fruto da experiência que realizou no ano passado, no projeto Revistas.
A 29ª Bienal de SP vai reunir cerca de 120 artistas, nacionais e estrangeiros, entre os dias 21 de setembro e 12 de dezembro, no pavilhão da Fundação Bienal de São Paulo, no Parque do Ibirapuera. Este ano, traz como tema “Há sempre um copo de mar para um homem navegar” (verso do poeta alagoano Jorge de Lima) e um novo curador-geral, o também pernambucano Moacyr dos Anjos, ex-diretor do Museu de Arte Moderna Aloísio Magalhães (MAMAM), de Recife. Ao lado de Agnaldo Farias, Moacir coordena a equipe curatorial formada pelas espanholas Rina Carvajal e Chus Martinez, o sul-africano Sarat Maharaj, o angolano Fernando Alvim e a japonesa Yuko Hasegawa.
Este ano, Marcelo Silveira também foi convidado a compor o Conselho Curatorial do Museu de Arte Moderna Aloísio Magalhães (MAMAM), que abriu recentemente suas portas em Recife, após dois anos em reforma. Além do artista pernambucano, mais três profissionais fazem parte deste conselho: Andrés Hernandez (SP) - curador independente e diretor executivo do Museu de Arte Moderna de São Paulo, desde 1998; Beth da Matta (PE) – artista plástica e diretora do MAMAM; e Ricardo Resende (RJ) – diretor de Artes Visuais da Fundação Nacional das Artes (FUNARTE).
Publicado em 06/04/2010