De 17 a 20 de março acontece a Art Dubai 2010, uma das mais importantes feiras de arte contemporânea do mundo. Nesta última edição, o evento conta com a participação de 70 galerias de 30 países e vários eventos paralelos. Nos últimos anos, a Art Dubai se tornou um espaço importante para colecionadores, artistas, curadores, profissionais envolvidos com as artes e investidores interessados no crescimento dos chamados países emergentes, em que constam, além da Índia, o Brasil, a Rússia e a China.
A Art Dubai reflete as contradições do país onde é sediada, a Índia, dividida entre a contemporaneidade e a tradição, entre a extrema pobreza de seu povo e a suntuosidade dos arranha céus luxuosos, com seus sheiks do petróleo. Mas é justamente neste lado, da riqueza, que se explica o boom da arte indiana.
O progresso da arte contemporânea indiana é impressionante: em janeiro de 2008, o índice dos preços das obras apresentou um crescimento de 830%, medido ao longo desta década. Para se ter uma idéia, em 2001, o mercado indiano movimentou US$ 2,3 milhões; em 2006, chegou a movimentar US$ 140 milhões.
Este fenômeno começou por volta de 2005, quando indianos ricos que moravam fora do país começaram investir e valorizar o trabalho de artistas conterrâneos. Hoje em dia, a procura é mundial e crescente, alimentada por um clima especulativo, com oportunidades de expansão e rápida negociação. As novas estrelas da arte indiana são disputadas em Hong-Kong, Dubaï, Londres, Nova Iorque, Nova Deli e Paris. Entre eles, estão estrelas mediáticas, como Anish Kapoor e Subodh Gupta, este último, com trabalhos em exposição até o dia 04 de abril no SESC Pompeia, em São Paulo, na mostra Urban Manners 2 – Artistas Contemporâneos da Índia. Gupta, de 44 anos, era um desconhecido nas vendas internacionais até três anos atrás. Hoje é considerado pela sua notoriedade como o Damien Hirst indiano (em referência ao maior sucesso do mercado de arte britânico, que movimenta grandes cifras).
Mas o mais caro artista contemporâneo da Índia é atualmente Anish Kapoor, nascido em 1954. No mercado há cerca de vinte anos, ele deslanchou a sua carreira internacional em 2006, quando a Sotheby’s (galeria e empresa inglesa especializada em exposições, leilões e vendas) leiloou uma escultura sua por 2 milhões de dólares, cinco vezes mais do que a sua estimativa inicial. Desde então, Kapoor fez outras cinco vendas milionárias em torno de 2,5 milhões de dólares. No entanto, nem todas as suas obras são inacessíveis: existem pequenas esculturas suas, produzidas em série limitada, que têm valor entre 3.000 e 10.000 euros.
Até nomes históricos da Índia se beneficiaram dessa movimentação: os recordes de valores unitários para venda de obras indianas pertencem às pinturas Birth, de Francis Newton Souza (1924-2002), e La Terre, de Sayed Haider Raza, 87 anos, vendidas em 2008 a US$ 2,5 milhões cada uma. No Brasil, apenas uma galeria, a paulistana Nara Roesler, representa uma artista indiana no país, Sutapa Biswas, radicada em Londres. Além dela, a Galeria Leme, também de São Paulo, acertou recentemente uma parceria com a Maskara, galeria sediada em Mumbai.
Fontes: ArtTactic, Optimize, Bravo
Publicado em 11/03/2010
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