Leonel Mattos ganhou recentemente destaque na imprensa nacional por sua arte e por sua postura diante dela: sempre política e questionadora. “Prefiro expor na Feira de São Joaquim à Bienal de Veneza”, declarou, em fevereiro deste ano, à repóter da Isto É, em matéria que repercutia o tema da Bienal de São Paulo de 2010: arte e política. Suas pinturas - que invadem a cidade, em árvores, muros, igrejas e, recentente, ganharam corpos humanos como suporte - têm caráter performático e forte conteúdo político-social, graças ao engajamento e à própria vida do artista.
Leonel Mattos nasceu em Coarací, Bahia, em 1955. Iniciou sua atividade artística em 1971 e foi um dos primeiros baianos a realizar intervenções urbanas. Em dezembro de 2009, ele abriu a exposição 2.234, da qual foi idealizador e curador, ao lado do também artista plástico Gustavo Moreno. O título, 2.234, é uma referência ao número de mortes ocorridas em Salvador e Região Metropolitana de Salvador no ano de 2008. A exposição aborda o tema da violência de uma maneira ao mesmo tempo local e global. Mobilizando 125 artistas de vários estados do Brasil e do exterior em torno de um movimento pela paz, 2.234 vai passar por seis cidades brasileiras. Este projeto marca a cotinuidade da exposição Ex-Pistols (ex-pistolas) montada em Trieste, na Itália, em novembro de 2008, da qual participaram Gustavo Moreno e Roney George, representando a Bahia.
Antes, Leonel já havia se envolvido em outro projeto bastante contundente. A premiada exposição Caixa Preta foi realizada a partir de sua passagem pela Penitenciária Estadual Lemos de Brito, onde o artista conviveu com presos para os quais acabou promovendo oficinas de artes. Caixa Preta, que é uma instalação resultado deste período, foi apresentada no Museu de Arte Moderna da Bahia em 2004.
Sua vida e sua obra ilustram o documentário Leonel Mattos a 24 quadros por segundo, premiado em concurso do Ministério da Cultura (MINC), realizado por Tuna Espinheira e apresentado durante a Jornada Internacional de Cinema da Bahia, em setembro de 2009. Tuna é o mesmo cineasta que produziu em 2000 o curta-metragem O Bruxo Bel Borba, vencedor do XI Cine Ceará (Fortaleza). Leonel é ainda vencedor de sete prêmios importantes em vários salões de arte do Brasil, representou o país em Paris, a convite do Museu de Arte de São Paulo (MASP), e realizou diversas exposições individuais e coletivas em museus, galerias, salões e bienais no Brasil e no exterior.
Publicado em 11/03/2010
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